domingo, 29 de agosto de 2010

Carbolitium

Tô triste, tô feliz
Tô triste, tô feliz

Quero sair na rua
abraçar o mundo
E logo quero meu quarto, solitário

O dia claro e bonito
vira a noite escura
o ceu tranquilo e sereno
transforma-se na tempestade raivosa

Quero viver 100 anos
criar os filhos
mimar os netos
Morrer serenamente numa casa de campo
ao lado da velha companheira

Morrer violentamente
enforcado no próprio quarto
Engrossando as estatísticas de suicídios
entre jovens de grandes cidades

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Pequeno texto

Se começo a escrever
me empolgo
O texto surge rápido
Na mente ociosa

É de tarde
estou no ônibus
a janela aberta traz
o vento agradável da tarde

Agora não chove
mas choveu mais cedo
perto de uma favela
prédios de luxo são construídos
A cidade cresce
como um canteiro de obras

Não vai demorar muito
pra destruirem o resto de floresta
e o caminho pra casa virar uma floresta de concreto
poluída e barulhenta

Assim estão as coisas
na capital da Bahia
um foi assassinado
outro executado
assim passou na TV
bem na hora do almoço

domingo, 15 de agosto de 2010

Mais um soneto

Posso ver pela janela
Là forá há uma tempestade
Mas no fundo a verdade
é que estou pensando nela

Lá fora faz frio
e aqui me sinto sozinho
Sem que nenhum carinho
Venha esquentar meu coração vazio

Numa folha sem sentimentos
Uma tinta preta
Vai dando forma aos lamentos

Portando apenas uma caneta
escrevendo seus sofrimentos
que ficarão esquecidos numa gaveta

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Versos perdidos numa madrugada qualquer

O céu está tão claro
Que a madrugada parece dia
O vento que bate na palmeira
é o mesmo que balança a minha bandeira

Mas de repente
tudo mudou
O tempo fechou
Começou a chover

A julgar pela indecisão
Eles estão brigando lá em cima
eles que se resolvam
eu só quero dormir

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Licença

Se eu tenho licença poética
Então posso rimar
Dilema com pobrema
Ninguém pode me criticar

Posso até misturar idiomas, ¿ no puedo ?
Yes, i can
Excuse moi, sunt eu un poet

Posso me dar ao luxo
de não seguir nenhuma métrica
E escrever um verso tão grande quanto esse só pra cansar o leitor
Continuando com outro tão grande quanto, sem chegar a nenhuma conclusão

Posso rimar versos
e fazer um poema musicado
mas também posso escrever
sem rimar porra nenhuma

Essa tal licença poética
transforma o cara no Deus da escrita
passando por cima das leis
do idioma de Camões
pobre Camões

Nem um ditador tem tanto poder
Quanto o humilde poeta
Com seu papel e caneta
ele não assina leis
e nem precisa
tem licença poética
pra falar de tudo
e fazer tudo
como quiser

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Janela

Chove na rua
chuva fina e melancólica
Daquelas que batem de leve
no vidro da janela
E a gente pensa longe

Crianças saindo da escola
Sinto vontade de ser criança
de viver sem preocupação
e sem nada que me faça infeliz

Se eu pudesse voltar no tempo
Acho que faria tudo diferente
Porque ser eu não tem graça
E é muito frustrante

Mas como diz o poeta
tenho 20 anos e estou morrendo
de desgosto, de tristeza
por ter que acordar e levantar
e viver minha vida medíocre

Porque o relógio não pode correr
E passar um ano a cada noite que eu durmo

domingo, 1 de agosto de 2010

Poema sem título

Um buraco profundo
Sem saída
Uma noite eterna
Assim está minha vida

E não sei o que faço
Não sei o que quero
Se tenho força ou vontade
Pra sair daqui

Talvez fosse melhor
acabar tudo de uma vez
Aproveitar a noite eterna
e dormir para sempre