quarta-feira, 3 de junho de 2015

Gente

Há

Por todo lado gente pouca
que vive na própria pequenez
gente que dorme de touca
perdem voz e vez

São donos de uma alma egoísta
e se perdem na vista

Ah

gente tão louca
que não liga pra quem diz
que é difícil ser feliz
que de reclamar fica rouca

Esses loucos tem na alma um carinho
e por isso não perdem o caminho

O caminho vale mais que chegar
na viagem se ama e se encanta
o trajeto é assim
a chegada é só o fim

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Poesia no concreto

Lua
pessoas
a brisa do mar banhado de esgoto

Gente vai, gente vem

Ponto cheio
buzu que não passa

Parou

Foram os carros
foi sinal
foi a correria
Por alguns segundos...

A selva tem pressa
o fluxo não para

Gente apressada
carro apressado
buzu nem tanto

Eu
de verdade
quero mais devagar

Cidade grande
ritmo irregular
rimas cinzas
versos confusos

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Dezpracinco

O relógio na parede parou
eram dez pras cinco
de um dia qualquer
naquela sala ninguém notou
típico lugar que o tempo engoliu

parou: disse uma velha mulher
e então se fez silêncio
saíram e a vida seguiu
passou e a terra girou

E ninguém se lembra agora
o que fez naquela hora
que o relógio parou

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Motivos

Não escrevo pra salvar vidas
Nem minha nem de ninguém
 nem me atrevo a posar de herói
e pintar um quadro que não convém
quero é o caos das verdades caídas
homens maus que enganam por enganar

Sou talvez aquela noite escura de lua nova e sem estrelas

Cave a cova sem que possa vê-la


Um lamento, muxoxo, lamúria

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Palavras

Dia de ontem quero não
nem nenhum riscado encalendário
chega de velhos passados
de ontens atrasados viver

Guarde a máquina de escrever
E seu dicionário de rimas
Vomitarei palavras sem saber
sem nexo ou dilema horário

O objetivo não é se entender
mas ocasionalmente pode acontecer
com muita gente na sintonia

Rima na mente e é raro

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Verão

Sete e meia da manhã
bate o sino não há sino
na Praça da Sé

Acorda Mané
Acorda Flor

quem explica esse calor?

sábado, 23 de agosto de 2014

Alguns lá, outros cá

Confusão, engarrafamento, barulho
buzinas, exaltação, sirenes de polícia
gente desesperada sem saber onde ir
Deus relógio regulando o tempo
atrasao e abafamento, chega

Isso é lá!

Uma brisa a beira-mar
galera na praia nadando à tarde
uma cerveja sem importar o dia
sem o rei-relógio ajustando a alegria
onde tudo é motivo de cantar
quanto a nostalgia boa invade

Ah, isso é cá!

Onde o mar é grande e os prédios pequenos
ventos amenos onde quer que se ande